sexta-feira, 6 de julho de 2007

Luz e sombra

E ao último dia, fez-se luz. E fez-se sombra. E fez-se luz novamente. Uma verdadeira espiral de sons e sensações. Tão diferentes como as bandas presentes e tão opostas como os estilos tocados. Primeiras impressões: talvez para ajudar ao fecho em grande tivemos, finalmente, o melhor entardecer do festival. Quem olhasse para a esquerda via Vénus. Para trás, um smile de lua minguante. E à frente uma chuva de estrelas cadentes com nomes tão sonoros como The Gossip, TV On The Radio, Scissor Sisters, Interpol e Underworld.


O planeta TV On The Radio foi apenas prejudicado pela meia-luz das 20h. No entanto, o brilho foi suficiente para fazerem bater o pé a muita gente. O constante jogo de vozes de “Ei, ei my playmate...”, anunciava já o rasto do meteorito de espelhos que viria a seguir. Em menos de nada já estamos mergulhados em cores garridas de lantejolas e disco saltitante. Podia ser Elton John ou os Bee Gees, não interessa.


Uma atrás da outra, saem tiradas inspiradas e picantes q.b. que alternam com poses e ritmo incansável. Há traseiros e simbologias nacionais de Barcelos e há alusões a substâncias e tendências menos comuns e há intermináveis dar e dar de ancas. Nasty! Filthy!
Corta para o apagar de luzes. Sai o rosa de soutiens explosivos e tesouras. Entra o cinzento urbano da conterrânea e vizinha Interpol. Baixa ainda mais a luz. Vem a sombra pontuada de guitarras e mais guitarras. “How are things on the west coast?” We’re doing fine, so fine, thanks. Talvez não devesse surpreender, mas ao mesmo tempo estranha-se a quantidade de almas que partilha das mesmas preferências.


Sabem-se as letras, as pausas, os arranques. E quando falha a letra, imita-se o riff. Mais um pouco e a lua cheia nova-iorquina, sempre difusa e poluída, está prestes a eclipsar-se.


Pela última vez muda o palco. Faz-se luz de novo, em projecções e projectores. Vemos também, pela primeira vez, todos os ecrãns ao serviço da causa. Do submundo emergem todos os baixos e batidas que qualquer corpo reconhece. Longos, repetitivos, hipnóticos. Primordiais como a vida. O ciclo fecha-se e recomeça de novo.
Mais uma vez, a prova de que a música é, e será sempre, uma parte inexoravelmente integrante da experiência humana.

Até para o ano!

6 comentários:

Orlando disse...

Super festival!
Estive lá e adorei!
Perfeito!
Espero repetir a dose!
;)

djkayori disse...

sugestao: ponham, online, as gravacoes dos concertos... ou quem sabe, para podermos fazer os downloads... isso e k era!

stone sour e metallica; do melhor!

Hetfield disse...

ninguem vai por fotos do concerto dos metallica?

Cumprimentos

Anónimo disse...

Podes ver imagens dos mettalica na Super Bock Super Rock Live TV no site da Super Bock. Está fantástica.

Alice disse...

Ainda estou a recuperar. Foi tudo tão fantástico, tão mágico que já adquiriu contornos miticos e inegualaveis.
Os concertos foram fantásticos (na maioria) e o campismo... Só que lá esteve pode compreender.
Espero ansiosamente pelo próximo ano (por mim podia ser já amanha).

Ah, já agora... Quem foi a cabecinha pensadora que se esqueceu de por Arcade Fire nas t'shirts? Tá mal :-P (mesmo assim comprei 3)

Anabela disse...

Ouvir, sentir, dançar.....
Simplesmente fantástico!!
A música contagiou todos os que lá estavam!!!
Adorei